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No dia 15 de agosto de 2025, a Pastoral do Migrante da Arquidiocese de Curitiba, representada pelo assessor eclesiástico Pe. Sales Conceição de Melo Nogueira, pela coordenadora Ivete Bussolo e pelo Diácono Renato Oliveira, foi recebida pelo Bispo Dom Reginei José Modolo, com o objetivo de buscar caminhos para atender às muitas demandas dos migrantes e refugiados que chegam diariamente aos agentes da Pastoral.
Dom Reginei, que acompanha a Dimensão Sociotransformadora da Arquidiocese, tem um olhar sensível às situações de vulnerabilidade humana. Durante o encontro, acolheu com escuta atenta as fragilidades apresentadas pela Pastoral, ajudando a lançar luz sobre desafios que precisam de atenção urgente.
Um dos pontos destacados foi a alta demanda de regularização de documentos de migrantes e refugiados, bem como a morosidade nos agendamentos e processos junto à Polícia Federal. Essa demora tem levado muitas pessoas à situação de rua, tornando-as mais suscetíveis à criminalidade e à dependência prolongada da caridade, apesar de possuírem capacitação profissional. Sem a documentação, porém, não conseguem acesso formal ao trabalho.
Como exemplo positivo, Dom Reginei recordou uma experiência de parceria da Polícia Federal em Cascavel e se comprometeu a buscar diálogo com o secretário de Justiça e Cidadania do Paraná, Valdemar Bernardo Jorge. Para fortalecer esse diálogo, sugeriu que a Pastoral organize dados sobre as consequências da demora na documentação, demonstrando que investir esforços na prevenção e regularização pode reduzir futuras demandas no combate à criminalidade.
Outro pedido da Pastoral foi o apoio da Diocese e das paróquias na doação de alimentos, especialmente para o CEAMIG (Centro de Apoio ao Migrante), que além de auxiliar na documentação, também recebe famílias em busca de cestas básicas. Dom Reginei orientou que seja feita uma lista com os principais alimentos necessários, respeitando a cultura alimentar dos migrantes, e destacou a possibilidade de obtê-los por meio da agricultura familiar. Também sugeriu a produção de um vídeo a ser apresentado na reunião dos padres de setor, a fim de sensibilizá-los para um olhar mais atento e prático no acolhimento aos migrantes. Além disso, indicou a importância de estreitar vínculos com os serviços públicos da Prefeitura, como os CRAS, que podem auxiliar no atendimento.
Durante a conversa, foi solicitado ainda o apoio do Bispo para a promoção de formações voltadas aos agentes da Pastoral do Migrante e às equipes de ação social das paróquias. A ideia é ampliar a visão de acolhimento, mostrando que os migrantes necessitam não apenas de alimentos, mas também de roupas, mobiliário para suas casas, acesso à educação, saúde, assistência social, oportunidades de trabalho, inserção comunitária e vida sacramental. Dom Reginei comprometeu-se a incluir esse tema na programação do IAFFE (Instituto Arquidiocesano de Formação da Fé) e pediu à Pastoral a elaboração de um projeto com os conteúdos a serem abordados.
Outro grande sonho partilhado por Dom Reginei é a criação de uma Paróquia de Referência para Migrantes: um espaço de encontro, onde possam celebrar sua fé em suas línguas e culturas, especialmente com missas em espanhol, além de receber atendimentos diversos. A primeira ação nesse sentido será a elaboração de um ofício à Arquidiocese solicitando uma paróquia para assumir essa missão.
Ao final da reunião, fica uma certeza: “A nossa Igreja é bonita, é bonita demais”. É uma Igreja viva, inspirada por Deus e conduzida pelo jeito de Jesus Cristo, sempre comprometida em ser casa de acolhida e esperança para todos.