
Às 19h, na Catedral Metropolitana de Curitiba, quem passava pela praça Tiradentes podia ouvir, mesmo que do lado de fora da igreja, a eloquência de Dom Pedro Fedalto. Pra quem esteve nas dependências da Catedral, uma celebração de ação de graças marcou esta data, tão importante na vida do Arcebispo Emérito de Curitiba. Com alegria, Dom Pedro recebeu fiéis, familiares e irmãos do presbitério.
Sempre devoto de Nossa Senhora do Carmo e São José, Dom Pedro viveu por 60 anos no então seminário da Arquidiocese de Curitiba. Viu Curitiba crescer, apresentou nossa capital ao Papa João Paulo II, em 1980. Nomeou bispos, ordenou padres, crismou e ministrou a eucaristia a jovens e fiéis de toda a cidade.

Na celebração, presidida por Dom José Antonio Peruzzo, atual Arcebispo e na companhia de dezenas de padres, diáconos e seminaristas, Dom Pedro assume uma certa dificuldade para ouvir, peso de seus 97 anos de idade. Mas a sabedoria acumulada sempre o acompanham, mesmo que seus dotes nem sempre possam fazê-lo.
Aqui transcrevo algumas palavras de Dom Peruzzo, durante a homilia desta data tão especial não só para Dom Pedro, mas para toda a Arquidiocese.
“Quero saudá-lo com muito carinho, também os outros bispos e padres que aqui vieram. Não é do meu feitio recorrer a retóricas laudatorias. Essas é possível fazer até sem se estimar. Querido dom Pedro, deixe-me lhe dizer. Lembrei nesta tarde de dois personagens bíblicos. O primeiro Jeremias, o segundo, Paulo. Jeremias porque é o personagem bíblico do antigo testamento acerca de que mais se conhece a personalidade. O homem que não desejou ser profeta. Não queria. Assumiu porque a experiência de intimidade com o Senhor mostrou-lhe tanto a fraqueza sua quanto a força. Viu-se sem forças de se contrapor. É aquele acerca de quem mais desconhece nas dificuldades por ter sido chamado e enviado. Desanimou, derramou lágrimas, às vezes até se revoltou, mas algo de que nunca falou porque ele aparentava sempre muito forte. Era alguém profundamente consciente de que Deus o escolhera.
De sua vocação sempre ouvi falar com carinho. A consciência se ter sido escolhido sempre indicando que mesmo sem merecer. Mas se Deus assim o quisera, então tudo pertencia a ele. Tudo o que o senhor podia dispor. Consciência vocacional.
Agora cito outro personagem: Paulo. Este era muito talentoso e culto, com uma capacidade extraordinária de debater e argumentar. Mas Paulo nunca teve vergonha das suas fraquezas porque tinha consciência de ter sido enviado. Enfrentar adversidades de toda ordem, calúnias de todas as expressões, mas ele tinha a dimensão de quem era Jesus Cristo e Jesus crucificado ele ainda reforçava.
Sabe dom Pedro, o senhor se viu enviado. Mais de uma vez falou que não se reconhecia o melhor dos nomes para a missão, mas nada o devolveu na direção do retrocesso. Como Paulo enfrentou muitos adversários, a ninguém ouve respostas agressivas
Suas palavras nunca perderam a serenidade porque teve a ciência de ter sido enviado não o permitia desfigurar o próprio senhor Jesus.
Mais de uma vez como seminarista e depois como padre eu ouvi dom Pedro comentar com compaixão palavras e comportamento de críticos, mas ninguém lhe tirou a paz, dom Pedro. De onde vibra tanta segurança? Das competências, brilhantismos, certezas ou da experiência de de quem reconhecendo-se enviado, mas se sabia protegido pela a intercessão poderosa da sua Nossa Senhora do Carmo.
Não sei se o senhor tem alguma medalha dela, mas talvez seja mais antiga que o senhor mesmo. E os 97 anos de história se tornaram breves frente tantas experiências a compartilhar. Eu vejo no senhor alguém que envelheceu sorrindo e envelheceu em paz, porque sempre esteve em paz quando o Senhor lhe ofereceu o melhor que tinha para que o evangelho não ficasse sem voz.
Desejo que sejam muito mais os seus anos de sacerdócio para que tenhamos a experiência para contemplar os carinhos de Deus pela sua missão. Precisamos do senhor, mesmo que a fraqueza física se imponha, a grandeza do seu testemunho será sempre uma voz forte.
Em nome dos padres quero saudá-lo. Queria dizer da alegria que é celebrar está ação de graças pelo dia que o senhor foi ordenado. Com certeza o chamado feito ao menino Pedro se concretizou em cada passo decisivo e com auxílio do Espírito Santo. Nos primeiros anos como padre o senhor serviu nossa Arquidiocese e foi escolhido também como Bispo auxiliar e depois como arcebispo.
Governando nossa igreja por mais de 30 anos, alguns dos que aqui estão também foram ordenados pelo senhor. Que honra nossa igreja vive esse momento de ação de graças pela sua vocação. E que a nossa oração seja a melhor expressão de uma comunhão com o Senhor, especialmente neste tempo de recolhimento e com certeza levando nossa oração a Virgem Santíssima. Que N s da luz sempre o proteja. Que o senhor continue sendo uma luz que brilha e que atrai novas vocações”
Muito obrigado, querido dom Pedro”
Ao final da celebração, Dom Pedro Fedalto tomou a palavra, agradeceu a todos e principalmente à Deus pela sua vida e vocação.

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Por Luiz Fernando Hanysz
Comunicação Arquidiocese de Curitiba