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Dom Pedro Fedalto: Traços da história que se entrelaçam neste 2026

A trajetória do menino Pedro, primogênito dos descendentes de italianos Giácomo Fedalto e Corona Marchetti, confunde-se com a história da

Dom Pedro Fedalto: Traços da história que se entrelaçam neste 2026

A trajetória do menino Pedro, primogênito dos descendentes de italianos Giácomo Fedalto e Corona Marchetti, confunde-se com a história da Circunscrição Eclesiástica de Curitiba, criada como Diocese aos 27 de abril de 1892, com a Bula “Ad Orbis Universas Ecclesias” (= Para todas as Igrejas do Mundo) do grande pontífice das questões sociais, o Papa Leão XIII. Este, com sua Encíclica Rerum Novarum, ressaltou direitos humanos fundamentais, dando as bases do que hoje existe quanto aos direitos trabalhistas e sobretudo para a tão esquecida Doutrina Social da Igreja.

Dom Pedro Antônio Marchetti Fedalto nasceu aos 11 de agosto de 1926, na Colônia Antônio Rebouças, em Campo

Largo, na Região Metropolitana de Curitiba. Neste mesmo ano a Circunscrição Eclesiástica de Curitiba tornou-se Sede Metropolitana pela Bula “Quum in Dies” (= Quando por estes dias) do Papa Pio XI, vindo com isso a ser denominada Arquidiocese em 10 de maio de 1926.

O 1º Bispo de Curitiba, Dom José de Camargo Barros, teve como iniciativa primordial formar bem seu clero. Aos 19 de março de 1896 fundou o Seminário São José, que faz 130 anos em 2026, e no qual Dom Pedro ingressou aos 2 de fevereiro de 1940. O grande promotor vocacional dele para o ministério sacerdotal foi o professor de sua comunidade natal, Senhor Luiz Lorenzi. Em Curitiba estudou até 30 de novembro de 1946, quando foi para o Seminário Central do Ipiranga, em São Paulo, ao fim de cursar as Faculdades de Filosofia e Teologia.

Era comum antes do Concílio Vaticano II que as ordenações presbiterais ocorressem pela manhã, pois não se tinha o hábito da Missa Vespertina. Ademais, em Curitiba, Dom Manuel da Silveira D’Elboux, 5º titular e 3º arcebispo, tinha o hábito de ordenar em um só dia todos os candidatos a padre residentes na cidade. E assim, aos 6 de dezembro de 1953, entre colegas diocesanos e religiosos como capuchinhos, passionistas e claretianos, Pedro Antônio Marchetti Fedalto tornou-se sacerdote em celebração realizada na Igreja Mãe de Curitiba: a Catedral de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, hoje com o título de Basílica Menor.

Se as ordenações presbiterais não eram tão acorridas na década de 50 do século passado, as “Primícias Solenes” eram uma festa geral. Assim foi a Primeira Missa de Dom Pedro Fedalto, aos 7 de dezembro de 1953, em sua comunidade natal. Na Capela de Nossa Senhora do Carmo presidiu pela primeira vez a Eucaristia, junto do pregador seu conterrâneo, o amigo de infância ordenado com ele no dia anterior: Antônio Agostinho Marochi. Em seguida, este presidiu a sua 1ª celebração como presbítero, tendo o então Padre Pedro como pregador. Dom Marochi posteriormente foi eleito Bispo de Presidente Prudente-SP, onde morreu já emérito em 2018.

Um prato cheio para quem gosta de história tornar-se padre no mesmo mês e no mesmo ano do Centenário da Emancipação Política do Paraná (19 de dezembro de 1853). No inicio de 1954, Padre Pedro Fedalto veio designado para ser o Secretário Pessoal do santo Arcebispo Dom Manuel, passando a residir na Casa Arquiepiscopal, à época na Rua Mateus Leme. Em seguida foi indicado como chanceler da Cúria, ocasião em que pode escrever seu primeiro livro: “A Arquidiocese de Curitiba na Sua História” (1956). E a história não parou por aí!

Em 28 de janeiro de 1966, na preparação dos 70 anos do Seminário São José e 40 anos da elevação de Curitiba a Arquidiocese, veio nomeado Bispo Auxiliar, contando apenas 39 anos. Adotou o lema: “Veritatem in Caritate” (= A verdade da caridade). Com o infarto e a morte do arcebispo em 1970, Dom Pedro Fedalto pensou que logo ia ser mandado para longe de Curitiba. Até escreveu para o clero junto das felicitações de Natal: “Rezemos, pois será nomeado o melhor”.  Muitas vezes rindo, relatou que foi um ledo engano. Mal sabia ele que seria nomeado 4º arcebispo. “Mas para o momento ele foi o melhor”, afirmava Dom Albano Bortoletto Cavalin, que também foi seu colega de turma e faleceu em 2017, já arcebispo emérito de Londrina-PR.

O Ritual de Ordenação de Bispos, na hora em que o candidato recebe o anel episcopal, apresenta o seguinte: “Recebe

este anel, sinal de fidelidade; sê fiel à Igreja e guarda-a como esposa santa de Deus”. Empossado como titular aos 28 de fevereiro de 1971, Dom Pedro foi um “fiel esposo da Igreja de Curitiba” entranhando ainda mais sua vida à da Arquidiocese.

Com praticamente três décadas e meia à frente do pastoreio da Igreja Católica em Curitiba, Dom Pedro Fedalto renunciou ao governo da Arquidiocese por limite de idade, como manda a lei canônica. Contudo, o então Papa João Paulo II concedeu-lhe a possibilidade de celebrar seu Jubileu de Ouro Sacerdotal (6 de dezembro de 2003) e terminar a construção do Palácio Arquiepiscopal no Mossunguê. Queria ele um lugar de paz, longe dos agitos do centro, onde o arcebispo e seus auxiliares pudessem morar sob o mesmo teto para partilhar soluções pastorais e acolher os padres com calma. Aos 19 de maio de 2004, Dom Moacyr José Vitti, CSS, assume a Arquidiocese. Dom Pedro torna-se arcebispo emérito e opta por morar no Seminário São José. Entre outros motivos, com o intuito, como afirmou à época: “de terminar bem onde começou”.

Dom Pedro Fedalto distinguiu-se pela sua proximidade e atenção. Sua formação é do tempo em que se valorizava a memória e a história linear. Sua mente funcionou por décadas como uma enciclopédia acessível a todos. Seus relatos sempre foram um documentário fidedigno e rico em detalhes concretos. Avesso aos romances, ficções, versos e prosas, seu trabalho atrelado a Dom Manuel, a quem tantas vezes referiu-se carinhosamente como “mestre e pai”, não lhe permitiu dedicar-se mais aos estudos. Teria gostado de doutorar-se em História da Igreja em Roma, mas segundo ele, “o serviço à mesma Igreja, desde os verdes anos de padre não permitiu”. Sempre foi um “homem do real e da praticidade”. Viveu por décadas no mesmo endereço. Há até uma placa no Prédio Histórico da Cúria Metropolitana relatando isso. Neste mesmo espaço, no corredor térreo, estão os retratos de todos os bispos titulares de Curitiba, com uma frase resumindo cada múnus de governo. Um dia, debaixo da imagem de Dom Pedro Fedalto, talvez seja possível escrever: “Sempre foi deste lugar, onde amou a tudo e a todos como pastor afável”. 

Às portas do Centenário da elevação de Curitiba a Arquidiocese, ressalto a proposta que fiz ao presidir a Missa com o aniversariante que fez 99 anos aos 11 de agosto de 2025. É, na verdade, um convite: “Uma Ave Maria por dia, para que como dizem os poloneses, STÖLAT, nosso querido Dom Pedro CHEGUE AOS CEM”. AMÉM!

 

Por Padre Fabiano Dias Pinto

Padre Fabiano Dias Pinto em visita a Dom Pedro Fedalto

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