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São José, homem que fez do sonho realidade

  Hoje é São José, que fez do sonho de ontem a realidade de amanhã! Cada 19 de março é

São José, homem que fez do sonho realidade

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Hoje é São José, que fez do sonho de ontem a realidade de amanhã!

Cada 19 de março é Solenidade de São José, homem que fez do sonho realidade. Anoiteceu em um “hoje cheio de medo” e alvoreceu para “um amanhã pleno de ação” conforme a vontade divina. Parece que foi ontem termos ouvido que ele não tardou em acolher a uma mensagem: “José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo de seus pecados” (Mateus 1,20-21).

Homem de bem, um belo dia José adormece na dúvida e acorda plenamente consciente de sua Missão. E vai além, quando procura evitar um escândalo e o consequente escárnio de sua amada Maria. Há em seu cotidiano a presença divina. O Deus que ansiava salvar a humanidade pecadora que degenerou a sua imagem e semelhança, quis contar com um homem bom quando “viu que o tempo chegou” (Gálatas 4,4).

Significativo no hoje é celebrar aquele que foi capaz de sonhar ontem. Os sonhos fazem parte da beleza da existência humana, dão esperança ao cotidiano e ao amanhã. São bem estudados pela psicologia contemporânea, que inspira a valorizá-los.  Não prescindir dos sonhos e até pô-los em prática não pode ser feitiçaria ou misticismo, mas acolher como dom as capacidades de sonhar e realizar, tão intimamente ligadas ao desejo humano.

José foi capaz de realizar o “sonho divino” porque não era um homem egoísta. Seus anseios eram de justiça e almejava obedecer a um Pai que lhe deu a graça de também ser um grande pai. Neste sentido vale recordar Anselm Grün: “é sempre uma dádiva de Deus quando esquecemos a nós mesmos(as) de tal forma que sintamos essa presença pura e o tempo esteja abolido. Só podemos treinar-nos na atenção e no estar presente e confiar que o próprio Deus irrompa em nosso treinamento. Quando ele irrompe, o tempo para, experimentamos então a eternidade e nosso desejo consegue repouso”. 

José não é um visionário qualquer, mas um sonhador profético que se apoia e repousa em Deus, despontando no tempo e na história como patriarca e guardião, dado a ouvir o conselho dos anjos, a exemplo dos antigos profetas de sua gente. Tal qual Balaão esteve disposto a “voltar atrás” (Números 22, 31-34) e como Daniel “viu o que o outros homens não viam”  (Dn 10, 5-9). A possibilidade de retificar, melhorar, e de sobretudo converter-se como propõe o tempo quaresmal, encontra na figura de José um modelo. Agora, em que seria preciso na vida de cada cristão “voltar atrás” e agir melhor? O que José, homem bom e justo, inspira à pessoa de fé, para que possa desalojar-se do Senso Comum e “ver o que outros tantos não veem”?

Aos olhos humanos acontece o inusitado quando Maria fica grávida antes de coabitarem. José então não faz o que pensara em executar, mas vai atrás do sonho que vem do céu: “seu esposo, que era justo, não querendo difamá-la resolveu rejeitá-la secretamente. Enquanto assim pensava, eis que um mensageiro de Deus lhe aparece em sonho e lhe fala” (Mt 1,18-19). Isto é muito significativo para este mundo cheio de guerras, inveja, intolerâncias e ambição. Hoje em dia, a conversão é possível com a abertura por sonhar com um amanhã melhor. Não se pode deixar para ontem o atuar das moções do Espírito Santo, conforme o que ele mesmo leva a ouvir. Assim fez José, que não seguiu seu pensamento, e sim acolheu ao seu Senhor.

O Papa Francisco, que coloca bilhetes debaixo de uma imagem de São José dormindo (e quiçá sonhando) mandou incluir o nome deste ser humano exemplar em Orações Eucarísticas da Santa Missa. Fica a dica inspiradora do pároco do mundo para educar-se a celebrar São José na Liturgia e na vida. Vale lembrar que o Santo Padre, em seu segundo ano de Pontificado, afirmou na sua catequese o papel de São José como educador de Jesus. E em comunhão com as exortações de Francisco, a Campanha da Fraternidade da Igreja no Brasil, que em 2022 trata do tema ingente da Educação, inspira a deixarmo-nos educar pelo Pai que se manifesta em seu povo eleito, a Igreja. O Texto Base ressalta o lema: “Fala com Sabedoria, ensina com amor” (Pr 31,26). E não deixa de enaltecer o sábio José como educador do Menino Jesus: “Jesus que é educado (também por José) no seio da Sagrada Família cresce em sabedoria, idade e graça, nos convida a apreciar a convivência no ambiente familiar, ouvir e dar atenção aos idosos, escutar as crianças, acompanhar e apoiar os jovens. Em cada etapa da vida habita uma sabedoria” (cf.n. 277).

O exemplo do lar de Nazaré pode ser um alento para a humanidade que tem se dividido em contínua discórdia. Leonardo Boff, ao lembrar de São José como pai, artesão e educador (2012) afirmou: “O amor a Deus e ao próximo, a observância das tradições e da lei constituíam a aura que inundava sua casa e sua oficina. Esta atmosfera foi fundamental na Educação de Jesus. Se em sua vida pública Jesus mostrou a radicalidade do amor incondicional a Deus e ao próximo, particularmente aos mais pequeninos, foi na Escola de José e Maria que aprendeu não só a lição, mas viu, principalmente, o exemplo” .

Hoje, ao celebrarmos solenemente a José, que ele nos ajude a ser como ele, que interceda com Jesus e Maria pela nossa salvação, fazendo-nos retornar à nossa verdadeira essência. Se nos perdemos no passado pelo pecado, acolhamos a vontade divina no presente e desenhemos um promissor futuro.

Rezemos sobretudo rogando muita paz para o mundo aflito por fome, pandemia e guerras. E pela oração abramo-nos a ações concretas pelos pequenos e pobres, pelos doentes e pecadores, pelos perseguidos e marginalizados, também inspirados naquele que educou, agasalhou e alimentou Jesus Cristo.

O Filho de Deus, na gratidão por seu pai nutrício, nos ouça ao implorarmos na aflição, especialmente por Paz em cada nação. Afinal de contas, hoje é São José, que fez do sonho de ontem a realidade de amanhã!

Ite ad Joseph, pois “São José não falha” (Santa Teresa D’Ávila).

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Por

Padre Fabiano Dias Pinto

Reitor do Seminário Rainha dos Apóstolos da Arquidiocese de Curitiba

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10 de abril de 2026

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